Na terceira conversa da série “SP em Quarentena”, falei com o grande Ferréz, escritor, poeta, compositor, ativista cultural, autor de “Capão Pecado”, entre outros. Ferréz é uma grande referência na Zona Sul de São Paulo e nas periferias como um todo.
Conversamos sobre a necessidade da solidariedade nesse momento, e de que informações claras cheguem na periferia, além dos problemas com a forma como a renda básica está sendo distribuída, com demora e muita burocracia. Se a taxa é emergencial, para comer, não pode demorar 15 dias. Além disso, a renda emergencial não pode ser a única medida. O pequeno comércio precisa de auxílio, é preciso dar condições para que ele não demita seus funcionários e não quebre. Porque 1 trilhão e 200 milhões de reais para os bancos e grandes empresas foram liberados no mesmo dia e a renda emergencial de R$600,00 é tão difícil?
Ferréz aponta que o Brasil elegeu um governo que despreza a solidariedade, e estamos pagando o preço. A verdade é que não temos um governo de fato, responsável, que aja, mas sim um cara que escreve no twitter.
Por isso, formas de organização comunitária são muito importantes agora. Já que o governo não faz, o povo faz!
Paraisópolis é um ótimo exemplo, que articulou ambulâncias e medidas para se autopreservar.
O MTST organizou o ZAP da saúde, que é um plantão por WhatsApp para resolver dúvidas da saúde e dar orientações, com médicos, enfermeiros, etc. O número é (11) 98174-3094.
Há também o “SOS Corona”, grupos de WhatsApp dos bairros criados para passar informações, mapear pessoas em situação precária e dar voz a denúncias.
Ferréz dá um recado para o povo das periferias para que se protejam e se informem, para evitar uma tragédia ainda maior nas quebradas.
Importante lembrar: respeito à vida acima do lucro!
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