Na última segunda-feira, dia 27, conversei com Jussara Basso, militante do MTST há 8 anos. Jussara é mulher negra, mãe solo, periférica, e junto com Débora e Tuca faz parte da chapa coletiva “Juntas”, pré-candidata à vereança de São Paulo pelo PSOL.

A “Juntas” é uma iniciativa de mulheres negras lutando por mais espaço e diversidade na política. As três iniciaram a trajetória no MTST, e entenderam que a luta por moradia não é suficiente. É preciso lutar pela reforma urbana, por direitos e uma vida digna – saúde, transporte, saneamento, etc. Siga as “Juntas” nas redes: https://www.facebook.com/ChapaJuntas/ https://www.instagram.com/juntasocupandoapolitica/

Debatemos um tema essencial e urgente, que é o aumento da violência contra a mulher durante o isolamento social. Dados estarrecedores saíram semana passada: os números de feminicídio dobraram em São Paulo. A realidade das da violência doméstica é que o agressor vive na própria casa e o isolamento social agrava a situação. Por isso fazer quarentena com o agressor é cárcere privado – é necessário ficar em casa para preservar saúde, mas é uma ameaça à própria vida. #NemCovidNemFeminicidio

A revista Fórum fez levantamento de que no twitter os relatos de brigas no horário meia noite e 3 da manhã aumentaram, e esse é o horário em que a delegacia da mulher está fechada. Por isso, uma medida importante seria a ampliação das delegacias da mulher abertas 24h por dia e aumento no número de delegacias da mulher no estado. Além de humanizar o atendimento nesses lugares, com acolhimento, já que não há preparação adequada dos polícias e delegados para atendimento se vítimas de violência.

É preciso lutar por politicas públicas urgentemente para prevenir violência doméstica e feminicídio, principalmente das mulheres periféricas.

Durante a quarentena, a França está garantindo quarto de hotel para mulheres que sofrem agressão, providenciando abrigo para essas mulheres e protegendo suas vidas. Em São Paulo, 40 mil quartos de hotel estão livres. Aqui seria possível fazer adotar uma medida como essa, e ainda dar suporte econômico à rede hoteleira. Estamos pressionando o poder público para subsidiar que quartos de hotéis vagos sejam destinados à população em situação de rua, e também às mulheres vítimas de violência.

É necessário denunciar casos de violência – se ouvir barulho estranho na casa da vizinha, denuncie! 180!

Jussara está na linha de frente na campanha do fundo solidário aos sem teto na zona sul, e conta o que ela tem visto e ouvido das mulheres e das pessoas em geral. A situação é desesperadora: a pandemia revelou desigualdade sociais gritantes. Casas minúsculas sem ventilação, com muitas pessoas morando juntas. Como fazer isolamento em moradias precárias?

A conta do coronavírus não chega igual pra todo mundo. Saíram dados de que no Morumbi a proporção de mortes por casos é bem baixa, enquanto Brasilândia tem uma proporção altíssima . Muitos podem pegar a doença, mas as condições de tratar e fazer o isolamento são muito diferentes e a desigualdade social fica escancarada!

Além disso, a situação das mulheres periféricas é de estafa total, com aumento da carga de trabalho! São elas que ficam responsáveis pela educação dos filhos, higiene, saúde, alimentação, cuidados dos idosos, etc. As mulheres periféricas também costumam ser as trabalhadoras dos serviços essenciais, ou seja, estão trabalhando o triplo e expondo suas vidas.

Não é possível só dizer que as pessoas têm que ficar em casa sem dar as condições reais para que elas fiquem! E isso é papel do Estado! São necessárias medidas para que as pessoas possam viver com dignidade durante a pandemia. #VidaAcimaDoLucro

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