Você tem razão, meu bem não há razão meu coração Você não quer mais pensar no que os outros vão pensar Eu queria pensar em quem me quer querer quem pensa em mim
Mas sou só um homem um animal irracional Meu bem, não me leve a mal
Te aceito, me aceite Meu acinte, seu assunto Me divido, compartilho o meu mundo e vou fundo
Se quiser eu posso ser o seu bichinho de estimação
Você tem razão, meu bem Não há razão meu coração Now I wanna be your dog
Amigo eu sempre tento ser um pouco diferente Só um pouquinho diferente já me é suficiente E a minha diferença não tem que ser tão evidente E se eu fosse realmente diferente eu seria mais contente
Mas eu me sinto tão igual Um sujeito tão normal Indivíduo social Eu não sou nada genial
Eu Eu sou Eu sou só Eu sou só um Eu sou só um homem Eu sou só um homem só Eu sou só um homem Eu sou só um Eu sou só Eu sou parte de Nós
Tá tudo diferente. Tá todo mundo igual Tudo diferente: Todo mundo igual Tudo diferente: Todo mundo igual
Amigo: eu sempre tento ser um pouco diferente
Sou um cara normal, aquele que vai sem saber onde vai Sou um cara normal: a cara da mãe e o jeito do pai Sou um cara normal: mais um que se engana Todo dia Sou um cara, mais um: gravata e pasta: me escondo no “Bom dia”
Mas eu sou daquele tipo parecido com você Sou daquele tipo que se entrega sem querer Sou daquele tipo aqui, tipo acolá Sou daquele tipo “a mão na frente e a outra atrás” Tanto faz Eu não sou nada Mas eu sou
Pois é
Sou um cara aí caminhando na rua e olhando pra lua Sou um cara Até gosto da minha vida e eu amo a sua
Não me importo se amanhã serei esquecido Te falo no ouvido o que eu sinto do perigo Assumo essa loucura de ser mais um normal, um mortal que teme a morte eu vivo entre o bem e o mal Um sinal da minha sorte me orgulho do azar de querer ser assim mesmo Onde a gente vai parar?
Não quero ser só mais um que foge de si fingindo estar tudo bem Não quero ser só mais um foge de si num tranqüilo Amém
Sou um cara normal aquele que vai sem saber onde vai Sou um filho da mãe com a cara do pai
Pois é Tá caro, meu caro Cara ou coroa? Mas que caralho Pago um preço caro por um caminho que não escolhi
Caí de cara Quebrei a cara Dei a cara a tapa
Sobrevivi
O dia já nasceu e ela continua morta Fala pra ela acordar logo que ninguém se importa Abra a janela, arrume a cama, escove os “dente” Tire a remela do seu olho, se trate como gente Sobreviva
Coitado de quem pensa que me faço de coitado Só porque declamo do que me deixa incomodado Num falo só de mim não é um grito solitário Mas eu não sou um líder, mas também não sou otário Sô mais eu
Cê sabe bicho que tudo gira em torno do dinheiro A gente não tem muito, mas a gente dá um jeito Sou um bicho feio de doer cê pode ver, O Zeca sabe conversar, “prasvêis pudê metê” Bão demais!
Essa miséria: rica em inspiração Não posso me dar ao luxo de ter depressão A vida tá difícil, mas a gente dá um jeito às vezes, eu me canso, fico triste, porque ninguém é perfeito E arranje um pedal de efeito pra cobrir os meus “defeito” É o jeito Dito e feito Eu me aceito
Coitado de quem pensa que me faço de coitado Coitado de quem acha que me faço de coitado Coitado de quem diz que me faço de coitado Eu num sou “troxa” e de bobo eu só tenho o andado Sobrevivo
Todo dia a mesma novela Todo dia quero arroz na panela Todo dia eu sempre penso nela Todo dia esqueço que a vida é bela
Todo dia tarefa pra fazer Todo dia mas eu sei lá o que Todo dia pra te convencer que Todo dia eu não sou você
Todo dia eu tenho que lembrar Todo dia: minha foto no crachá Todo dia: vou me estressar mas Todo dia: eu aceito aceitar
Todo dia: na fila a esperar Todo dia: não posso parar Todo dia: blá-blá-blá Todo dia: até quando? Eu vou suportar?
Todo dia: carrego minha cruz Todo dia: rezo pra Jesus Todo dia: eu apago aluz Todo dia: o dia me conduz
Todo dia: tanta humilhação Todo dia: arroz com feijão Todo dia: manteiga no meu pão Todo dia: bate o coração
Todo dia: eu sou o povão Todo dia: espremido no “buzão” Todo dia: eu não digo não Todo dia: eu finjo que toco violão
Todo dia: vai anoitecer Todo dia: nasce um bebê Todo dia: eu posso morrer Todo dia: você foge de você
Todo dia: o mesmo caminho Oh! Não! Não agüento não!!!
O inferno deve ser esse Todo dia: a mesma música pra cantar
Todo dia: isso não vai acabar? Todo dia: a mesma fé pra acreditar Todo dia: a mesma merda pra falar Todo dia: o meu aqui está aí Todo dia: eu não vou mais repetir Todo dia: eu não sou mais um ninguém Todo dia: vem pra dança você também Bem Tudo bem Tudo bem além Tudo bem além do bem e do mal
Eu não quero o que eu queria Eu queria sua companhia Todo dia o gato mia e eu ia lá na padaria Todo dia ia – ia – ia – ia – ia – ia Porcaria Monotonia Burocracia Desarmonia Correria Eu sofria com a minha azia essa agonia Todo dia
Sinto falta de mim - Saudade do que fui
Hoje de manhã vi que envelheci e caí em mim: me lembrei de nós Hoje de manhã voei por aí no ar Saudade do que fui
Hoje no amanhã o tempo parou. Sei que nada sou, vivendo tão só Hoje no amanhã desapareci no Sol Saudade do que sou
Deitei no chão olhei pro teto aqui faz frio e eu sinto medo o mesmo vazio e o mesmo leito a cabeça dói e essa dor no peito
Oh, minha amiga. Há quanto tempo! Como foi bom te encontrar Vamu botá a conversa em dia. Tá tudo fora do lugar Eu ando e olho aquele povo que vai vivendo sem ninguém, meu Deus Vejo que ninguém vê mais ninguém e eu não vejo também
Eu já procurei e cheguei até aqui Vim no rumo dessa estrada sem ter pra onde ir Mas eu já vou me encontrar Aqui, ali e lá
E quem confia além da conta muito se engana nessa vida, amiga Quem não confia vive isolado sorrindo de quem não duvida Quem se isola vive a sofrer, mas quem não sofreu não viveu, eu sei Eu vivo um tanto um quanto irritado. No meio de nóis eu sou mais eu
E eu me enganei quando pensei que eu era eu E você que refletiu nesse caminho se perdeu Mas eu já vou me encontrar Aqui, ali e lá
Eu quero entender qual é o jogo essa vida “Quem não comunica sempre se estrumbica” Mas eu já vou me encontrar Aqui, ali e lá
Oh, minha amiga... tô terminando, pois tá na hora de ir embora, agora A qualquer dia a gente se vê precisando é só chamar eu vou na hora
A minha viola vai cantar Ela vai cantar até o dia clarear
Um acorde na minha viola Pra que você acorde agora Acorde agora, pois o tempo está indo embora
Pelos olhos de Chico Buarque Pelo beijodoce de Judas Pelas veias de Jimi Hendrix E por esse“Deus nos acuda” Pelas barbas do profeta cada um que trace sua meta
Pelos versos de Camões Pelo traço de Robert Crumb E pra quem já leu Grandes Sertões Pra Bob Marley e pra quem quer que fume Pelas barbas do profeta cada um que trace sua meta
Pela Santa Palavra do Padre, pela mente do descrente Pelo sorriso lindo do político Pela fé do inocente Pelas barbas do profeta cada um que trace sua meta
A minha viola é discarada Viola amaldiçoada Ela mete onariz aonde ela não foi chamada
Mas a minha viola continua Continua nessa dança nua Ela vai gritar até lhe crucificar
E é dando que se recebe Eu já sei muito bem o que é isso E amai-vos uns aos outros “Tô com Jesus e com São Francisco” Pelas barbas do profeta cada um que trace sua meta
Pela transa de Romeu e Julieta Quem não pode que fique na punheta Ninguém esquece a primeira trepada Aquela que cê fica até com a alma pelada Pelas barbas do profeta cada um que trace sua meta
O pierrô espera a colombina Cê espera a salvação divina Não espere que eu vá te esperar E, por favor, não me proiba de sonhar Pelas barbas do profeta cada um que trace sua meta
Tanta coisa pra eu te falar Que eu não sei por onde começar Pra terminar eu vou te dizer Que você tem que ser você Pelas barbas do profeta cada um que trace sua meta
Eu não sei pra onde vou
Mas eu vou
Meu coração bate no peito A vida bate na minha cara e no final tudo isso rebate em quase nada
Maria bate com a indiferença João apanha na sua crença Todo mundo sabe que a pior porrada é da palavra
E quando eu era bem pequeno, bem menor do que pareço ser Eu ouvia e repetia aquele novo amanhecer Me diziam que era pecado eu querer, mas eu queria querer E agora eu vou falar do meu viver
Aponto o dedo, aponto o lápis, Aponto o caminho. Eu tô no ponto E ponto final. Eu tô lá no ponto de ônibus
Sem medo de falar e errar Sem medo de andar e tropeçar e aquele velho medo de falar do nosso medo
Eu na minha triste condição de ser humano normal Não me importa se é o que quero e nisso não tem nenhum mal Hoje resolvi te explicar aquilo que quero entender Você olha pro céu tentando achar aquilo que já está em você
Acenda uma vela. Abaixe o tom da sua voz pra falar comigo Posso ser qualquer um, mas eu não sou só mais um Sou qualquer dois
(Dois mi réis abençoado por São Cosme e Damião Eu rezo pro meu “padim Ciço” e pra Nossa Senhora do Pérpetuo Socorro pra abençoar esse povo trabaiadô do meu sertão. Obrigado, meu Jesus!)
Vamos vivendo a prestação Esperar o céu e viver no chão Vamos vivendo a prestação Sem dizer não
Deus, me dê forças para caminhar, mas vê se não me empurre Deus, não me deixe me cansar de mim e me livre dessa culpa Deus, me dê coragem para continuar aqui nesse mundo, imundo Deus: te perdôo, mas abençoe esse pobre vagabundo
Tantos séculos de evolução para acabar nessa situação
Deus, ilumine essa rua escura. Me dê um lampião! Deus, cicatrize essa ferida que sangra no meu coração Deus, me retire daqui desse poço que é tão fundo Deus, um sinal, eu também queria pão, mussarela e presunto
Só um nome na lista telefônica ninguém liga pra Só um nome na lista telefônica Deus lhe pague. Durma com Deus!
Popularize o progresso da ciência Equilibre essa minha paciência Me liberte dessa má consciência Marx, Buda, Nietzche, Cristo, Freud, Alá, Sartre ou Tupã?
Deus Seja Louvado li a mensagem na nota de 1 real Louvado Seja Deus nos deu Arnaldo: um lóki surreal Deus, obrigado, por estar aqui, por ser o que sou: cuiabano de Goás e muito mais Eu não sou Raul Seixas, nem Roberto Carlos, não sou o Tom Zé, não sou o Tom Waits e nem Diego de Moraes
Deus, vou montar uma igreja para me montar... minha salvação Deus, em nome do seu amor vou virar pastor para faturar a próxima eleição
Posso ter sido o problema, o erro, a falha, o defeito Eu já fui seu Posso ter sido até cruel, ignorante por mais de um instante eu já fui seu
Sei que já não sei o que será de mim
Isso acabou e a vida segue Sei que já não sei o que será de nós Nosso futuro me persegue Eu já fui seu
Fui Eu fui o seu bobo da corte e seu rei, porém sei que você também foi minha É... só que por mais de um instante cheguei até a pensar que era mais que um instante
Sei e nem queria saber de mais nada Mas não recuso o que aprendi Sei que tenho que trilhar a minha estrada Você se foi e eu me perdi Eu já fui seu
Ontem de madrugada acordei pensando em você Por mais que eu fechasse os olhos eu só podia te ver Eu digo e repito que é tarde pra me arrepender Eu tento e não consigo. Como é difícil te esquecer
Sei que já não sei o que será de mim Por que meu bem me fez tão mal? Sei e eu não sei por que isso é tão ruim Por que não aceito o final?
Ainda sou seu
68 ainda vive eu prefiro 69
Falta realizar o prometido e fazer o que não foi feito problematizar o resolvido
e rever o direito do errado estar certo
O sonho já morreu (John Lennon) Duvide do que leu (John Lennon) Eu que não sou mais eu (John Lennon) O pesadelo ocorreu, o homem morreu, depois que o sonho faleceu
Pelos 4 cantos da cidade: complexo de inferioridade Eu quero o novo, dinovo (com o Tonico e Tinoco)
A velha-guarda da vanguarda anunciando o novo que é papo velho novo é papo velho
Tempestade
(Ícaro Eugênio, Guilherme Lopes, Leonardo Eugênio)
Eu nem sei mentir, finjo enquanto posso Eu nem sei pedir, mando sempre outro em meu lugar Quase sempre me escondo em quanto chove Finjo não saber a onde estou Mas eu vou já e tarde e o céu já desabou!
Tire os pratos da mesa que hoje vai ter correnteza e mar.
E eu já não sei se isso tudo é você ou sou eu Que imagino demais e sem mais me entrego a você
Tire os pratos da mesa que hoje vai ter correnteza e mar.
E eu já nem sei mais Se isso é só saudade Se lá vem o mar Ou se é tempestade!
Tire os pratos da mesa que hoje vai ter correnteza e mar
Querido Amigo
(Guilherme Lopes)
Ei você, você quer que eu te dê o chão, o não, o nós e a voz? Pra entoar suas meias canções Ei você, você quer que eu te de o céu, o vel, o fel e o anel? Simbolizar seus meios corações
Leve essa canção Diga que isso não é meu Ela e para te tornar mais eu!
Ei você, você quer que eu te dê o troco, pouco, soco ou pontapé? Você quer que eu te de café? Ei você, você quer que eu te dê o troco, pouco, soco ou pontapé? Você quer que eu te de café?
Leve essa canção Diga que isso não é meu Ela e para te tornar mais eu!
Nus Amamos
(Guilherme Lopes, Phillipe Matos)
Seja direito, temos defeito e entre nós nada é perfeito E olhe pra ti, que tem de mim? Você é carne e eu querubim. Onde é o amor? Qual estação? Quem somos nós e essa canção de amor? Ou não, se é tudo em vão!
Se o destino nos levar pra um lugar aonde a luz há de faltar Só o amor pra clarear e nos tornarmos luz, e nos mostrarmos nus a caminhar
E olhe pra ti, que tem de mim? Você é carne e eu querubim. Onde é o amor? Qual estação? Quem somos nós e essa canção de amor? Ou não, se é tudo em vão!
Se o destino nos levar pra um lugar aonde a luz há de faltar Só o amor pra clarear e nos tornarmos luz, e nos mostrarmos nus a caminhar
Calmaria
(Guilherme Lopes)
Quando o céu escurecer e o espaço envermelhar Com os beijos teus, beijos teus tantos Quando o tempo for cessar E o espaço nos levar de volta pra casa Seja onde for nosso lar
Tudo vai estar em calma, calmaria Calma Maria toda tonta, tola, que já vamos voar Tudo vai estar em calma, calmaria Calma Maria toda tonta, tola, que já vamos voar
E eu nem sei mais quantas trilhas, milhas, metros vamos encontrar Eu vou soltar meus sapatos no ar E eu nem sei mais quantas danças de águas mansas vão nos afogar Eu vou buscar seus sapatos no mar Pra ver você dançar quando o amanhecer chegar.
Alento
(Guilherme Lopes)
Não, não vou me esconder entre os lábios teus pra me resguardar Vou preferir lutar enfrentar os céus, me armar de nós. Vou me armar de nós.
E que seja você os meus lábios Quando a noite tentar escurecer E que seja você os meus lábios E a batalha que valha lutar
Chegam notícias de guerras E os outros vão nos procurar Chegam noticias de outrora, que agora Seus beijos preferem calar
E que seja você os meus lábios Quando a noite tentar escurecer E que seja você os meus lábios E a batalha que valha lutar
As lembranças que eu guardo de Araguari resumem-se ao dia em que eu fugi caçado de perto por uma multidão decidida a fazer justiça com as próprias mãos
Ecoavam sermões pelas ruas dormentes ninguém larga tudo impunemente o abandono é a pior traição no fim das contas, hoje eu te dou razão
Em minha defesa, eu apelo ao óbvio: eu era novo e sem temor, eu tinha o mundo ao meu dispor Só que a vida passou e eu caí em nostalgia mesmo de coisas que eu mal vivi, o que dizer da inocência que eu deixei em Araguari?
Araguari, o que foi que aconteceu? Fui eu que te perdi ou você que me perdeu? Foge à minha compreensão, mas eu te dou razão
Fato é que eu não sou mais quem eu era antes eu voltei envelhecido e hesitante Hoje eu que cuido dos meus pais e as crianças da nossa rua já não somos nós
Mas eu sinto saudade da nossa banda de cada palco em que eu pisei, de cada nota que eu cantei E ainda me dá um nó na garganta pensar nos sonhos que eu sonhei, na leveza dos amores que eu desperdicei
As brigas que eu comprei, Meus amores inconfessos, Os sonhos que eu sonhei...
Passou, passou Um dia eu me conformo e paro de me culpar Passou, acabou Sabe quando você sente que não vale mais a pena lutar? Se não deu certo com a gente, acho que nunca vai dar
Passou, passou Um dia eu me acostumo e paro de te importunar Passou, acabou Sabe quando você sente que não vale mais a pena lutar? Se não deu certo com a gente, acho que nunca vai dar
Prometo que eu não demoro quando eu estiver pronto, eu te aviso Se bem que eu não me incomodo pode ir agora que eu já não ligo Só vê se não esqueceu nada e vê se não volta mais Enquanto eu não me recobro, enquanto eu não estiver bem, em paz
A cama ficou espaçosa nosso quarto ficou mais frio A casa, silenciosa, não me serve mais como abrigo E foi consensual nós nem sequer discutimos Tudo tão civilizado nem parecia comigo
Nossos amigos ainda questionam o que foi dessa vez qual a gota d’água, como eu consegui afastar você de mim
Deve haver em tudo isso alguma lição algo a ser aprendido, uma compensação para o quanto nós nos ferimos
Passou, passou Um dia eu me conformo e paro de te culpar Passou, acabou Sabe quando você sente que não vale mais a pena lutar? Se não deu certo com a gente, acho que nunca vai dar
No cômodo abafado, de branquidão hospitalar via-se um mar de rostos borrados tentando te acordar Você zombava desse empenho, da proteção que eu ofereci um demônio enfermo de quem eu não consigo me despedir
Delirante, queimando em febre, você buscou a minha mão A esse poder que você exerce eu nunca soube dizer não
Ela reagiu como se possuída por um espírito ruim Dizendo “prepare-se pra uma guerra, eu não respondo mais por mim” E eu, tão impressionável, me apaixonei Eu me apaixonei, eu me apaixonei
O que eu mim você reconhece, eu reconheço em você (não estou só) O gosto da sua pele, as fraquezas que eu tento esconder (não estou só)
Quando eu menos esperava, a vida não falhou em me surpreender (não estou só) Nada mais me entristece agora que eu encontrei você (não estou só) Quando eu menos esperava, a vida não falhou em me surpreender (não estou só) Nada mais me entristece agora que eu encontrei você (não estou só)
Como eu me defendo desse sentimento de inadequação Que me destrói por dentro, pro qual eu não vejo explicação? Bandeira a meio mastro, um afago áspero, a voz do cantor Eu criei um certo faro para esse tipo de enganador
(Graças a você)
Ladeira abaixo, assim foi dito uma obra-prima de eufemismo para as dores da inaptidão, para o sufocante calor da afobação Ninguém imagina o que eu enfrentei o quanto doeu, o quanto eu rezei minha reza de ateu num desespero que eu nunca me atrevo a demonstrar
Bêbada e vingativa, o amor como eu o conhecia de peito estufado, cheia de si cantando em copos por aí na madrugada eterna e ardente que te deixou toda em carne-viva
Uma adoração inconcebível (em mim você devia confiar) todo o amor que me é possível (eu vejo tanto de mim mesma em você) recolhido, quieto, ensimesmado meu refém conformado e imperturbável na madrugada eterna e ardente que me deixou todo em carne-viva
Agora, convenhamos: eu nunca me expus tanto, você nem pra impedir Com todo esse alvoroço, eu só engoli meu almoço, não senti gosto algum A torneira que eu esqueci aberta não tardou a inundar todo o prédio mas eu sobrevivi, eu sobrevivi
O tempo que a gente passou aqui morando de favor nos tornou parte da mobília sem valor na percepção pobre e turva daquele que nos abrigou
E foi nesse corredor que eu vi o fantasma de um senhor e de um labrador magro, manco e ameaçador Eu é que não vou me meter com esses dois
Nem queira saber o que eu ambiciono, o que me mantém vivo, porque eu não cedo ao sono Eu te aconselho: nem queira saber
Assim que os meus dias de vândalo terminarem, eu sei que me levarão pro céu E farão com que eu narre os meus escândalos sem que eu me gabe, com o constrangimento abatido de um réu Talvez fosse preferível que eu nunca tivesse saído de onde eu nasci, de Araguari
Simpósio degrade / defumando o cérebro / respirando aos pares num sistema de microcrédito.
Manchetes por aventura se tornam carrosséis / diálogos com tudo são sabonetes vermelhos / a vida com sabor [portanto alguma grama]
Eu sempre quis disseminar decentemente algumas entre aspas correndo prum final feliz.
Travo uma batalha contra o sol, já que este está bem próximo do que eu entendo por metal.
No início um ano eram doze meses - mas - hoje em dia isso não se torna tão usual.
Querer é correr / correr é ter que / ter que montar carros alegóricos pro carnaval.
Casos - complexos - sobre vale brindes / por mais que as balas / causem cáries / contudo nós queremos saber / é de andar de bicicleta / de andar de bicicleta / e bolar um plano para o futuro / andar descalço com os pés pelo chão
Relatórios desenvolvendo atores / com superfícies de rimar com “ores” / a paz está com a mesma fome dos provérbios / refere-se a paz terrenos desprovidos de guérreos / mas (os) cereais açucarados continuam nas bases
Com os ombros para baixo / e tratores zombando os pastos / dinheiros seguem sorrindo / por alvoradas gigantes / (em meio a) / pratos cheios de azuleijos / pratos cerâmicos ou férreos / pratos vazios / porcentagens numerosas de pratos vazios
Aquele disco velho em casa na / minha vitrola CCE vaio rodar / modelos 3 em 1 que só toca / LP´s, EP´s e 10” / chamarei / Sr. White para averiguar / o valor / comercial / dessa pedrada / mas se for / de novela / eu farei / uma coletânea / em k7 / para os meus amigos
Ei! cara de pau / os pratos servem muitas vezes / para servir líquidos / então venha com comidas frias / você está vendo a situação do Pantanal / eu acho que as coisas não estão muito boas
Em baixo dos prédios as vidas dos altos falantes / a base de cebola com fluxo de quedas capilares / nos tornamos um chumasso rastafara / não vou / mais parir / pôneis / faroeste / sudoeste / 8ª série / Tieta do Agreste / aqueles alto falantes / do início da canção / subiram pra ecoar palestras lidas em papel sulfite
Você sabia que o dono do Bar do Zé, se chama Milton?
E que o dono do Bazar do Salomão, se chama Tarcisio?
Que eu me chamo Luis Henrique / e que o Rubéns se chama / man é en ... man é en ... man é en ... man / se chama man é en!
Andando descalço / me deparo com / um sorvete / 3 ou 4 fazendeiros / sacando dinheiro / para jogar na loto
Caixas de leite / em meio a uma fileira / de lixo virgem / determinatemente / detergents de maçã / fazem a festa nas calças com calças / cheias de lixo virgem / aspirinas / americanas / em promoção
I use to use them / all ando f any kind / even in the can I use to do / but now / now no more / no more cigars along my life
Jornais abertos na mão de qualquer um / realmente abrem pois são formados por folhas dobradas / departamentos jornalísticos vivem de anúncios / e as notícias são os anúncios
Prefácios azuis / imcompletamente velhos / jogando cartas em filmes de horror / deparam com o íntimo das roupas intimas / tão longos os versos se fazem por por / letras na sopa / tomates no sugo / do meu macarrão / ma-ma-ma-mamamia
Decir, decir, decir / latas del mar / para conecer / confusion mental / estoy loco / a tragar / em La rambla / a caminar
Com cara de teclado ou de órgão público / tietes recomendam-me bolos grátis de aniversários / em fedorentas discotecas abram aspas “bem bacanas” / ouço o motor verde novo trocado por um mais velho / trazido aqui por caixas quentes com o umbigo de fora