Edith Stein sobre pedagogia's Canal: Recent Episodes

Vivian B Barreira

Textos de Edith Stein sobre pedagogia

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O que devemos priorizar na formação da mulher? O ensino teórico e abstrato ou o concreto e prático? As escolas para moças de boa familia que no século passado, ensinavam literatura, arte e história, levaram a cabo um bom trabalho de formação? Para a mulher, basta amar, como diz Oda Schneider, no seu discurso? Adestrar a energia, adestrar a vontade, como isso é eficaz na formação? "O exercício das capacidades práticas e criativas é por isso uma parte essencial do trabalho de formação".

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Qual é o ethos da vocação profissional? Que devemos entender sob o termo ethos? Qual é o ethos das vocações profissionais femininas? Qual a disposição anímica da mulher?

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Se o pedagogo, antes de dar início ao seu trabalho, tem que responder à pergunta: que é o homem?, ele precisa recorrer a antropologia, ciência que tem de ocupado dessa tarefa. Por outro lado, a antropologia enquanto ciência natural, isto é, que procurar conhecer as leis da vida anímica dos homens tal como os zoólogos procuram conhecer as dos animais parecem insuficientes. Há duas razões para isso: primeiro, de que o homem não é nunca um exemplo do tipo, incluso qualquer tentativa do educador de tratar o aluno assim, poderá criar barreiras entre os dois, já que esse anseia por ser tratado como alguém único, irrepetível. A segunda é que existem unidades suprapessoais (raças, povo) que parecem ter um papel para toda a humanidade, mas não só isso, para o homem também. A escola de Baden identificou as ciências nomotéticas e as idiográficas. A primeira buscando as leis universais e a segunda a descrição de contextos individuais.

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A criança cresce não só como membro da comunidade, mas também como indivíduo. Na comunidade, a criança começa a sentir, vive e se ocupa. Por outro lado, também a comunidade experimenta um transformação é um desenrolar dinâmico. Ao mesmo tempo em que comunidade e indivíduo crescem um junto ao outro, um com o outro, também experimentam uma luta um com o outro. Pensemos no seguinte caso: nenhum trabalho social de formação é feito e o indivíduo é deixado com suas próprias forças para que atue sem trabalhá-lo. Se a sua natureza é forte, entrará em conflito com a comunidade, não acatará suas exigências que se apresentam como contrárias a sua natureza e buscará um lugar na vida que corresponda às suas próprias forças, despreocupando-se pelo que se passa com a comunidade. Se esse não fosse um caso isolado, mas algo que acontecesse com todos, então todas as formas sociais seriam dissolvidas, a humanidade seria atomizada. Para que isso não aconteça, a natureza nos homens, em geral, ou na média, dá prevalência às forças sociais no lugar das individuais. Para a maior parte dos homens, é mais fácil que subsista o perigo de que a sua individualidade seja sufocada pela comunidade do que o perigo de que estes rompam com a comunidade. Mas, esse tampouco é um desenvolvimento feliz: nem para o indivíduo, nem para a comunidade.

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Que é que pensa o homem naturalista sobre o trabalho de formação? Que é que pensa o homem crente? Qual é a ideia que se tem de homem na concepção católica? A fé revelada não é somente o convencimento de que Deus criador, conservador e governador de tudo, mas é uma fé revelada que nos faz entender o que somos chamados a fazer neste mundo. Todo o mundo e tudo o que acontece está nos planos de Deus, e incluso a formação da juventude é obra de Deus, e os homens são chamados a colaborar nesse trabalho como causa segunda, mas não como cegos e sem vontade. A eles, foi dado a inteligência e a vontade para que, no possível, se informem sobre o que tem que fazer e como deve fazê-lo.

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A escola - e, em especial, a escola elementar - a ela se encomenda formar as crianças do povo, isto é, que esses possam chegar a ser membros inteligentes e servidores na vida social em suas diferentes formas - família, povo, Estado, Igreja, etc. Isso só é possível se se admite que ser membro da comunidade não é algo alheio à natureza humana, mas ao contrário, que o homem não alcança sua meta última sem formação dos indivíduos para membros da comunidade. A explicação para essa nossa natureza é, antes de tudo, nossa imagem e semelhança de Deus, em especial, no dogma da Santíssima Trindade- que é uma comunidade na sua forma mais perfeita, mas onde não há dissolução de nenhuma das três pessoas. O pecado original e a redenção seriam totalmente incompreensíveis se a humanidade fosse somente a soma de indivíduos separados de todo um do outro, e não um corpo com cabeça e membros.

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Qual a finalidade da escola? Qual a importância do trabalho conceitual na formação de moças? Qual o lugar das ciências humanísticas e das ciências naturais na formação? Onde não há uma tendência a uma imagem compacta do mundo, a tendência metafísica, não se pode falar de verdadeiro trabalho formativo. Toda formação feminina deve incluir a antropologia e a teoria da educação humana porque a mais alta vocação da mulher é a formação humana. Necessidade de corresponder a idade e ao tipo de espírito.

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Para muitos, pode parecer inusitada essa relação entre a verdade e a claridade no ensino e na educação, mas se se reflete sobre o assunto, descobre-se que não é assim. O que entedemos por conhecimento? Como chegamos a conhecer algo? São preguntas geralmente, respondidas pela teoria do conhecimento (gnoseologia). Pode-se tirar algumas conclusões iniciais. Uma definição mais tímida e que terá que se abandonar posteriormente, é o que o conhecimento é ganhar uma nova noção ou chegar a conhecer algo. O conhecimento depende de três instâncias: o assunto ou objeto que é conhecido, o sujeito ou essência espiritual que conhece e o próprio ato de conhecer. As pessoas conhecem de maneiras distintas, em razão do objeto, mas também em razão das pessoas mesmas. Uma criança pequena não chega ao conhecimento tal qual um homem adulto. Um selvagem (um homem do neolítico, por exemplo) não chega ao conhecimento da mesma forma que um homem culto. No entanto, entre o conhecimento que os homens possuem e aquele que possui o Ser eterno, há uma diferença abismal, a maior que pode existir. Assim, começando por aproximar-se a definição do que é verdade, a primeira afirmativa nasce da filosofia escolástica que diz que verdadeiro é aquilo que se diz de algo que o é realmente (na realidade). Por isso, o verdadeiro se relaciona a um juízo (um julgamento), que pode ser sempre verdadeiro ou falso. Agora, um conceito está formado de juízos, e se os juízos são verdadeiros, diz-se que o conceito está correto. Já a claridade relaciona-se a percepção. Ao percebemos, por exemplo, que uma névoa densa cobre a paisagem, não conseguimos distinguir muita coisa, mas depois que a névoa dissipa-se, então, podemos distinguir o cenário ao nosso redor, que antes eram apenas borrões. Mas, a percepção não está ligada apenas aos sentidos, e por isso, podemos falar em uma percepção política, religiosa, e outras.

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Qual é a natureza da mulher? A natureza da mulher está inscrita na sua missão de origem: ser esposa e mãe. Mas, ser esposa e mãe não está restrito a relação esposa e a materna própria, mas se extende a todos os seres humanos que estão ao seu entorno. Para isso, existem características muito essenciais da alma feminina que, embora inscritas na sua natureza, podem ser sufocadas. A mulher se interessa especialmente pelo que é humano, pelas pessoas. Mas, isso se dá por uma simples curiosidade, ou a afã de intrometer-se em terreno alheio. Se atende a esse impulso, isso é prejudicial. Só fará algum bem se entender que as almas são reinos de Deus e somente deve se aproximar delas se foi enviada por Ele a elas. Algumas mulheres são muito cheias de movimento e isso pode atrapalhar para que as vozezinhas mais suaves não possam falar com ela. Por isso, silenciosa deve ser a alma da mulher. Mas, a alma da mulher só é silenciosa se é vazia de si e recolhida em si. Ninguém consegue isso por si mesmo, tem que pedir muito confiadamente a Deus. A chave para isso é entender que nenhum outro pode tê-la toda para si, senão Deus, então, o dom de si mesma já não lhe parecerá difícil. Assim, ela é a soberana nessa cidadela que é sua alma, mas é soberana enquanto serve ao seu Senhor, e com isso está ao serviço de quem que o Senhor queira, para aquele a quem lhe foi dado como cabeça visível: o esposo, ou qualquer outra "autoridade" dada a ela. A alma da mulher é cálida por natureza, mas essa calidez é pouco equilibrada por natureza. Por isso, a mulher só pode ajudar, se no lugar do fogo terrenal, vem o celeste. Se isso acontece, não só aquece, como também ilumina, então, é toda luz, pura e clara. Tudo isso aponta que a mulher só chegará a ser o que deve ser, se a configuração natural que atua no interior se somar a configuração mediante a graça. Por isso, o núcleo de toda formação feminina deverá ser a formação religiosa.

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O conceito de formação, no qual a alma humana é vista como uma tábula rasa em que se devem inscrever os formadores, é um conceito que remonta à época da Ilustração (século XVIII). Já há alguns anos que se trabalha por um novo conceito de formação, que, na verdade, é um conceito muito antigo, isto é, anterior à Ilustração. Porque uma ideia correta de formação entende que a alma não pode receber o que quer que seja, porque existe uma configuração interna já dada, como nas plantas, em que já se está configurado onde vai nascer um caule e onde nascerá uma folha. Mas, mesmo assim, a essa configuração interna devem se somar às externas que são as mãos dos formadores. Já na vida do ser humano que vai amadurecendo, por livre vontade, o homem atua na sua própria formação, pode fechar-se contra os estímulos recebidos ou pode abrir-se a eles. Mas, ninguém pode fazer de si algo que está fora da própria natureza, nem os formadores, nem ele mesmo. Só existe uma força que não está sujeita à natureza e que pode transformar desde o interior o próprio interior, é a força da graça. A formação não está submetida à arbitrariedade dos formadores ou dos indivíduos mesmos, por isso, o sistema de formação da Ilustração sucumbiu.

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Expõe que a "ideia de homem" que possuem pais/educadores modela o trabalho educativo. É claro que nem sempre aqueles que se entregam ao trabalho educativo refletem sobre sua própria ideia de homem, e sobre a metafísica a que essa ideia corresponde, mas, a ideia de homem continua atuando independente disso. Também é possível que alguém se lance a um trabalho educativo a qual não corresponde de maneira direta a ideia de homem que possui, mas, isso não é o mais lógico. O mais comum é que cada ideia de homem derive consequências pedagógicas alinhadas a essa ideia. Então, expõe três "ideias de homem" e suas consequências pedagógicas. A primeira é o do idealismo alemão. Essa pode ser resumida assim: como o homem é capaz de eleger livremente, está orientado a buscar sua própria perfeição, acredita-se (até demais) na capacidade do intelecto e na força de vontade do homem. Como consequência para o trabalho pedagógico, este torna-se muito ativista, otimista, mas é um trabalho de superfície porque não vê que o homem possui um interior muito profundo a qual sua força de vontade e seu intelecto parecem pouco suficientes, no caso, por exemplo, de uma doença anímica, como uma depressão. A segunda é a da psicologia profunda que parece se opor ao idealismo alemão, já que ao contrário de apelar para o intelecto e a vontade, torna-os impotentes, diante dos instintos. Os instintos são as forças escuras no homem, que vem da sua profundidade, a despeito das tentativas de educá-las. Como consequência pedagógica, o trabalho de educação, de formar e dirigir almas, retrocede a favor de um "esforço por compreender". Por sua vez, esse esforço por compreender é altamente prejudicial na medida em que apaga toda compreensão autêntica, porque não é correto afirmar que os homens estão entregues a seu egoísmo e não se pode fazer nada. Crer nisso só aumenta a falta de união sincera nos indivíduos de uma comunidade. A última linha de pensamento é a do existencialismo de Heidegger. Aí, o indivíduo atua, seu viver, seu falar, seu pensar é como se exibe no mundo, porque não há nada de real no mundo, por isso, o indivíduo só busca a si mesmo. Como consequência, o educador só querer demonstrar a atuação dos outros mostrando o que é verdadeiramente, atuação, assim, trata-se de que destruir ídolos - quem serão? pátria, família, amigos, religião - para o indivíduo voltar a ser ele mesmo, mas, então, ela pergunta, quem fará isso? E com boa consciência? E quem haverá de preferir a enfrentar o nada no lugar de refugiar-se no mundo?

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